segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Profecia ou abobrinha?


A profecia que os cristãos chupinharam sem contexto algum para atribuir ao nascimento de Jesus:

- Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem [no original hebraico é "a jovem mulher grávida" e não "a virgem" como os cristãos deturparam] conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel (Deus está conosco). (Isaías 7:14)

No contexto do capítulo (vide 1 a 9) se vê que Jeovino promete um sinal ao rei Acaz. Que sinal é esse? É justamente o filho do próprio rei, que está para nascer. Não tem nada ali de uma promessa para se cumprir 700 anos depois! E nem sequer se fala de uma virgem parindo um bastardo.

Os cristãos deturparam Isaías 7:14, na pretensão de que tal passagem era alusiva a Maria e a Jesus. Nada disso. Na verdade, o mito de Jesus adveio da efervescência do caldeirão helênico, onde as culturas egípcias, persas e greco-romanas e tantas outras se misturavam e produziam novas cosmovisões. Nessas culturas se vê diversos exemplos de semi-deuses que nasceram da impregnação de uma virgem.

É digno de nota que Belém, o lugar que diz que Jesus nasceu, era o centro do culto a Tamuz. E quem era Tamuz? Era o deus da Suméria e da Fenícia. Os sumérios e os fenícios acreditavam que Tamuz foi gerado por uma virgem, que ele morreu com uma chaga no tórax e que, três dias depois, levantou-se do túmulo e o deixou vazio.

Os escritores dos evangelhos deveriam citar a lenda de Tamuz como referência e não fazer uso de má fé da passagem citada do Livro Isaías.

Isaías 7:14 não é uma profecia; é uma abobrinha. Mas tem mais abobrinhas que, se o tempo nos for amigo, iremos ter a oportunidade de ver. Haja estômago!

Por ora, fico por aqui. Vamos com calma para não dar diarréia ou dar uma baita duma indigestão.


Paz da peru requentado
 
 
(Imagem: Presépio, de Michelangelo.)

1 comentários:

Matheus Lopes disse...

Está de parabéns pelo blog!

Gostei de ler os seus textos.